O presente de cada dia

É comum ouvirmos as expressões “caiu na rotina”,  “a vida anda monótona” ou “falta emoção no relacionamento, no trabalho, na vida”.  Essas expressões refletem o quanto é comum cairmos na armadilha de acreditar que, devido ao nosso cotidiano, nem sempre agradável, esteja descartada a beleza de vivê-lo.  No entanto, basta prestar um pouco de atenção, para constatarmos algo bem diferente do que essa ideia tão comum nos convida a crer.

O conceito de monótono, criado por nossas limitadas mentes humanas, está baseado na  ilusão de podermos viver plenamente somente através de comandos mentais, que possam ser capazes de gerar percepções amplas a partir dos nossos cinco sentidos humanos, que aliás raramente são utilizados na sua plenitude.

rotina

O cansaço, o tédio, a repetição, a mesmice são frutos de uma forma de vida autômata, consequência da premissa de que necessidades precisam ser preenchidas o tempo todo, tais como dormir, comer, fazer sexo, procriar, trabalhar, comprar, gastar, assumir deveres, tarefas e papéis, lazer, ganhar mais, ter mais, etc.

Mas, se conseguirmos ultrapassar as barreiras para constatarmos as nuances em tudo que acontece em nossos dias,  vamos nos dar conta de que o extraordinário está sempre presente no cotidiano, através das sutilezas, do que estão por trás das máscaras, dos comportamentos, dos acontecimentos.  Através do que está à nossa volta e nem percebemos.  E  que, dependendo da nossa atenção, mostram-se como que preenchendo espaços vazios que estão por toda a parte. Quando temos essa percepção, não existem palavras que possam descrever a riqueza dos nossos dias, dos nossos momentos, independente de nos darem prazer ou dor.

A previsibilidade é um ledo engano.  Criação da mente humana.  O que existe, sempre, são as possibilidades. O automatismo que aplicamos em nossas tarefas, pensamentos e ações cotidianas é que nos leva à ilusão da repetição.

Apesar da rotina, que muitas vezes nos assola, o fato é que é impossível repetirmos qualquer dia de nossas vidas,  seja ele ruim ou bom, normal ou excepcional, comum ou excepcional. É fascinante constatar que cada dia se manifesta de forma única, totalmente fora de nosso controle,  sendo impossível  vivermos dois dias iguais.  Por mais que se pareçam ou que nos esforcemos para que se pareçam.

arco-iris

Basta entrarmos em contato com o nosso mundo interno na mesma proporção em que entramos em contato com o nosso mundo externo.  Parece fácil, mas não é, porque somos treinados a ficar o tempo todo para fora, para o externo, para a comparação, para a competição, para  ganhar, para conquistar, num processo de avidez sem limites.

No entanto, querendo ou não, tudo muda, se transforma o tempo todo. Inclusive nós mesmos, tanto internamente quanto externamente.   A vida é mudança constante. Cada momento único torna os nossos dias únicos.

Com esse olhar, fica relativamente fácil constatar a mudança e evolução contínua de tudo à nossa volta. Compulsória ou não.  E que nos convida a acompanhá-la, cria-la e recriá-la. Levando-nos a sentir tudo, menos tédio.

Assim, ouso praticar o meu dia a dia, sabendo que posso mais do que os meus cinco sentidos oferecem , que posso ir além do que fui treinada, doutrinada ou condicionada a ir e entrego-me às infinitas possibilidades do que cada dia me oferece.  Sim, incluo o extraordinário no cotidiano da minha vida. Não é um paradoxo.  É trabalho interior ! São as possibilidades que cada dia me oferece, de presente !

Gratidão pelo presente de mais um dia !

 

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