A diferença entre preço e valor: reflexões sobre investir e gastar

Está na dúvida sobre investir em terapias porque as considera “caras”?  Este post é também para você!

Avaliar se algo é barato ou caro, geralmente é um comportamento automático, ou seja, ele existe dentro de uma força coletiva que nos arrasta para uma opinião que não é nossa e, sim, de consenso ou coletiva.  Normalmente, este comportamento está relacionado às referências como cultura, religião, classe social, faixa salarial, economia e política.

No entanto, relacionar o custo financeiro de algo ao real valor que aquilo tem para a nossa vida, já é um processo bem mais complexo e individual, pois envolve questões ligadas à consciência. Por exemplo:  uma pessoa frustrada com a sua situação financeira ou revoltada com a sua realidade de escassez vai avaliar como “caros” os preços daquilo que considera necessário para a sua vida.  Uma pessoa que, mesmo com muitas posses financeiras, tem crenças limitantes sobre o que é dinheiro certamente também poderá achar os preços “caros”.

Não dá para separarmos as questões ligadas a dinheiro com as questões ligadas à consciência.  Sabe o  porquê?  Porque a maior parte das nossas crenças sobre dinheiro é inconsciente e, portanto, não nos damos conta de como e do quanto somos afetadas por elas.  Outro motivo é que, gostando ou não, aceitando ou não, a questão do dinheiro sempre está presente em nossas vidas, mesmo quando achamos que estamos “desapegados” dele.

Iniciei minha carreira profissional de terapeuta há mais de 10 anos.  Para conquistar o direito de atender pessoas visando contribuir com as suas vidas, investi e continuo investindo financeiramente em vários aspectos.  Desde cursos, formações, treinamentos, congressos, equipamentos e tecnologia de última geração. Tem ainda os investimentos de ordem íntima, como, por exemplo, quando decido investir em uma imersão terapêutica em vez de fazer um viagem de férias, porque tenho consciência do quanto a imersão é fundamental para mim naquele momento.

As nossas contradições e as contradições da sociedade na qual estamos inseridos criam contradições na macroeconomia (o sistema econômico) e também na microeconomia (nossa forma individual de compreender e de lidar com o sistema econômico e com o nosso dinheiro).  Assim, é inegável que o dinheiro é uma energia!  À medida que aprendemos a unir o que pensamos, o que sentimos e o que verdadeiramente queremos, nós criamos um estado de consciência mais adequado para lidarmos com as questões do dinheiro, inclusive influenciando no sistema econômico.

Já me deparei com pessoas afirmando “fazer o bem tem que ser de graça”.  Estou dando esse exemplo como um padrão de pensamento coletivo, ligado a dogmas religiosos, um padrão de escassez e condicionamento que alimenta nosso campo individual, a ponto de acreditarmos que essa crença é nossa. No entanto, se pararmos para pensar um pouco, até mesmo trabalhos voluntários envolvem a energia do dinheiro porque, de alguma forma, é ela, a energia do dinheiro, da abundância, que dá espaço para que pessoas trabalhem sem receber uma recompensa financeira por aquele trabalho.

A diversidade e a complexidade do mundo atual é enorme e acredito que a  energia do dinheiro está diretamente ligada a esse cenário porque, como centro que somos de toda a atividade econômica, podemos desenvolver a nossa capacidade de assumir uma nova consciência e atitude em relação ao dinheiro e construirmos, individualmente e coletivamente, novas e desejáveis realidades futuras.

Da próxima vez que você julgar que uma terapia que deseja fazer “é cara”, se pergunte:

  • O que está sob o meu controle para eu assumir essa compra?
  • O que essa compra realmente representa para mim?
  • Estou colocando em risco os meus valores e interesses mais profundos ao fazer essa compra?

Pagar pelo trabalho de um terapeuta faz parte de um processo íntimo de análise que envolve não só o preço financeiro da terapia, mas também o valor desse trabalho para quem vai usufruí-lo.  Tomar a decisão de pagar por uma terapia não é só achar “caro ou barato” e, sim, fazer avaliações e escolhas conscientes, levando em conta o que a pessoa realmente quer e pode mudar em sua realidade e também o investimento que ela quer priorizar a fim de promover mudanças.  Só assim é possível reconhecer a real necessidade de uma terapia e avaliar as possibilidades de pagar por ela com um sentimento de autoresponsabilidade e sentido.   Da próxima vez que você achar algo simplesmente “caro ou barato”, releia este post!

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